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Sapatinho vermelho

Pois bem, era uma vez uma garotinha que gostava de se arrumar para sair com o namorado, pelo menos aquele que ela considerava como tal. Esse começo está péssimo, mas enfim, o fato é que ela comprou um sapatinho vermelho lindo achando que estaria arrasando. E ele teria –como efetivamente o tem – muito significado para ela já que havia nele uma borboletinha linda com pontinhos de strass. Pois é, strass que virou stress.

Não é que a criatura (o tal pseudo-namorado, ou PN apenas) desdenhou do mimo? Pior, olhou-o tão incomodado que ela ficou ali, como que se tivesse pisado em algum fertilizante de felino, é, cocô de gato mesmo, daquele que empestiam a casa de fedor quando alguém entra com o sapato de quem acabou de pisar na merda. Isso, sentindo-se fedida como que com merda de gato, ela esperava ali, atônita o veredicto (!) que ele se dedicou a dar. E o cara estava lá, olhando, analisando, olhando, analisando, até que lhe disse: borboleta é para mim, bem, não sei direito, não gosto, é, bem. . . Gaguejou, disfarçou, mas, enfim, vomitou: é brega. Brega??? Ela pensou, questionou-se, brega??? Tá, você não vai com a cara, tudo bem, você não curte muito essa de analisar sapatos, afinal de contas você é macho não é? (ela acreditava nisso!). Mas era sim, ele era macho, porém arvorando-se nesse papel tipicamente feminino e de gêneros similares (sem ofensa alguma a meus ultra fashion amigos gays e todos os não amigos) ele deu sua sentença. De morte, mais uma. Porque foram muitas as mortes com que se matava dia a dia aquele relacionamento pálido. É isso! Era um sapato VERMELHO. A garota queria cor! Uma cor forte, uma cor com personalidade. Como um instrumento útil que lhe caberia num daqueles dias terríveis pós noites em claro pensando – e sentindo – algumas das tantas dores advindas daquela (des)união e que, claro, nunca lhe traria o porquê de continuá-la. E que fosse então um sapato colorido, seria ele sua muleta quando ela vestisse simplesmente uma roupa de cor insossa, um terno trivial e o sapatinho vermelho. Tal qual o sapatinho de cristal de Cinderela, resgataria a moça do fosso de sentimentos cinzas, seria, pois, seu passaporte para a luz. Ok, ok, há muito que ela não acreditava em contos de fadas, mas vá lá, ela queria mesmo era estar feliz, dar-se um presente, sentir-se bonita e, sobretudo, bem. E esse papo de cor trazer personalidade, não lhe cabia, afinal ela era sim uma pessoa de personalidade bem delineada ou, ao menos achava que era, pois os contornos de sua história de amor (?) a fizeram questionar bastante que personalidade ainda lhe restava.

Mas finalmente, era a borboleta. Para melhor dizer, com mais precisão, eram as duas borboletinhas, uma em cada pé, brilhando delicadamente nas pontinhas de suas asas com as pedrinhas bem postas que a colocavam (a garota da história) em alerta. A borboleta, o simbolismo. Se os personagens das histórias da Carochinha não lhe entretinham mais, o mesmo não se podia dizer dos símbolos que traziam ou que se lhes apareciam como sinais muito fortes em sua vida e, estes sim, bem definidos. A borboleta era para ela (como a muita gente) um símbolo de transformação, de superação, de resgate dos propósitos, aquela história de que quando aquilo que para alguns se chama fim do mundo, para a lagarta é o começo de uma nova vida. Metamorfose, borboleta! Era isso, isso a inspirara mais que tudo, mesmo que fosse mais cômodo, mais confortável achar-se na moda. Enfim, nas palavras dele, ela não estaria na moda. Ela ficou triste. Doeu ouvir aquilo. Doeu. Não tinha noção apenas – ou simplesmente não quisera admitir para si mesma – que a dor maior estava longe de pensar-se fora de moda, mas sim o fato de que em apenas limitando-se a ouvir ou a contra argumentar as digressões acerca do seu querido sapatinho vermelho, estaria longe de livrar-se da teia que lhe envolvia, ela, a menina-lagarta.

Enfim, coincidência (?), ri-se agora, foi exatamente quando deixou de lado esse péssimo conselheiro de moda é que foi descoberta por uma revista de moda.

Aí vem outra lembrança. A de um vestido vermelho de uma tal amiga (?) do dito cujo acusador. Vermelho assassino. Não, não se disse fatal, quase que um sinônimo de sedutor. Assassino mesmo, talvez na tentativa de assassinar todo o excesso adiposo que insistia em se fazer presente no decote avantajado que o vestido recortava em nas costas da criatura. Nada contra as gordinhas, aliás, contra a ninguém, apenas a favor da moça do sapato vermelho.

Porque o engraçado é a comparação: o vermelho latente, insistente e delator, assassinando qualquer possibilidade de deixar a rechonchuda amiguinha elegante, sedutora, chique, fina (?) ou qualquer outra tradução do bem vestir E o tal PN, zombando do sapatinho vermelho da moça que pôs tanto gosto em usar para exibir-lhe. Não é de bom tom certas afirmações, afinal certo mesmo é que ninguém é merecedor de pena, mas dava até dó daquele bolinho de cereja em forma de gente rodando o bar e sacolejando a p




On January 11 2009 47 Views



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Popcornpics On 12/01/2009

texto muito foda tb!!

O do meu flog nao e meu, escritor desconhecido, mas e como se tivesse escrito pra mim no meu momento agora...eu e mais eu!

bjos linda


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_anamarta_ On 11/01/2009

Sim, o domingo está lindo mesmo ou eu estou estupidamente feliz?


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_anamarta_ On 11/01/2009

Sim, e quanto ao rapazinho aspirante à estilista? Não se sabe ao certo, mas reza a lenda que ele não gostava de borboleta porque o lugar preferido dele não é mesmo o jardim, mas sim o brejo, onde mora até hoje com outros sapos na tentativa de um dia virar príncipe.

Ah, e quanto a outra lá do vestido vermelho assassino? Bem, diz-se à boca miúda que a moça continua graúda, mas que agora o verde é a sua cor preferida. Por isso, juntou-se a uma ONG de defesa do Meio Ambiente para engendrar mais uma luta contra caça às baleias.

Bem, esta fábula não tem moral no final, se é que tem alguma e não estou nem um pingo a fim de ser politicamente correta. E quem não gostou, se quiser, que conte outra.


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_anamarta_ On 11/01/2009

. . rodando o bar e sacolejando a pança com seu vestido vermelho traidor.

Mas mesmo não sendo expert de moda, mesmo trabalhando no meio de gente que não sai muito do social, ternos, roupas comportadas, sérias mesmo. . . Ainda assim, quão irônico foi para ela ir parar numa revista de moda, porque as pessoas que trabalham com isso, as pessoas que reconhecem, que identificam, que escolhem, que criam, que ditam, que fazem MODA a escolheram.

A vida é mesmo divertida, pensou-se a moça olhando o novo amor ronronando ao seu lado. Sim, um gatinho aparece de novo na história, mas não mais para deixar seus dejetos pelo caminho a ponto de a garota poder vir a pisá-lo.

Agora ele vem na pele de um moço muito atencioso que, um dia a surpreendeu questionando-a: “você sempre se vestiu bem?” Engraçado, outrora um ex lhe dissera que seu lado gay assumia que se fosse mulher queria vestir-se como ela, apenas pelo fato de que ela vestia-se bem com muita ou pouca grana, com ou sem griffe. Lembrando-se disso, a resposta veio fácil: ela sempre se vestira ou se vestirá desde que e apenas quando a moça fosse ela mesma, o que acontecia quando sua personalidade emergia em suas produções. É isso, vestir-se com personalidade. A sua. Aquela mesma personalidade que um dia tolhida, cerceada, tornou-se refém do sapatinho vermelho.




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