Um sentido...
7/14/09
"Meu amor, se te espero agora e em cada reflexo de luz, se te suspeito todo tempo, é porque não te conheço. Porque és a margem oposta, o distanciamento, o corte. E tua indiferença é tão doce, tão suave, que quase não é. Mas te espero ainda, porque da espera sou feita, porque me destendo e me amparo, acreditando que o espaço que nos limita é a beirada da nossa completude, e que entre nós existe apenas uma questão de entrega. E a entrega, meu amor, não é aumentar-se no outro, mas diminuir-se em si. Dar-se em seu estado mínimo, mais cru e essencial. Não é o olhar atento e constante, ansioso por reter o que vê; mas o olhar de quem contempla e se afasta, tornando o visível inevitável, como uma cicatriz aprofundada que se inscreve nas retinas".